Economia

Crise na Marabraz: conflito familiar e rombo de R$ 140 milhões levam à recuperação judicial

·há 1h·Uberaba, MG
Uberaba, MG
Foto: acervo de Uberaba

A gigante do varejo Marabraz protocolou um pedido de recuperação judicial após registrar um passivo acumulado de R$ 140 milhões. A crise financeira, que já vinha sendo percebida pelos consumidores através do fechamento de unidades físicas, tem como epicentro um complexo imbróglio sucessório entre os herdeiros do fundador Abdul Hamid Mohamad Fares. A disputa familiar comprometeu a estrutura de garantias que sustentava as operações de crédito da companhia.

Segundo a documentação apresentada à Justiça, o modelo de negócio dependia de imóveis da família para assegurar empréstimos bancários. Com o rompimento das relações entre os sócios de diferentes gerações, o acesso a esses ativos foi bloqueado, gerando um efeito dominó que resultou na restrição severa de crédito e no aumento das taxas de juros impostas pelas instituições financeiras. Sem capital de giro para repor estoques, a operação entrou em colapso logístico.

A situação reflete um desafio comum em grandes empresas familiares brasileiras: a falta de uma transição de gestão pacífica. A holding que controlava os principais centros de distribuição e lojas passou por mudanças societárias que culminaram em processos judiciais entre pais, filhos e sobrinhos. O Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu decisões que favoreciam os fundadores originais, deixando a empresa sem o respaldo patrimonial necessário para as atividades diárias.

Com a recuperação judicial, a Marabraz busca agora fôlego para renegociar suas dívidas e manter os empregos remanescentes. O impacto é sentido em todo o setor varejista popular, no qual a marca se consolidou com campanhas publicitárias de grande alcance nacional. O processo judicial deve detalhar o plano de reestruturação para tentar reverter o fechamento de mais lojas e garantir a sobrevivência da rede no mercado competitivo. Com informações de Notícia Uberaba.